A Pontifícia Universidade Católica do Paraná conquistou destaque na edição 2026 do Hult Prize, uma das maiores competições universitárias de empreendedorismo social do mundo. Representando a instituição na etapa nacional, a equipe formada pelas acadêmicas Mariah Fraulo Cavalcante e Taciane Beatriz Ferreira chamou atenção com um projeto inovador voltado à mitigação de incêndios florestais — um tema de grande relevância ambiental e social no Brasil.
Mais do que o avanço na competição, a trajetória da equipe reflete o protagonismo estudantil e o impacto de iniciativas que conectam inovação, pesquisa e propósito. O projeto desenvolvido, batizado de Biodefenser, propõe um retardante de chamas não tóxico, capaz de combater incêndios sem causar danos ao solo, à vegetação ou à fauna, alinhando-se diretamente a diversos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.
Um movimento global impulsionado por estudantes
O Hult Prize é um movimento estudantil global que incentiva jovens universitários a criarem soluções empresariais com impacto socioambiental. A iniciativa nasceu a partir de alunos da Hult International Business School, inspirados pelas ideias do empresário e filantropo Bertil Hult, que também financia o prêmio de 1 milhão de dólares concedido à equipe vencedora da final global.
Na PUCPR, a competição foi organizada por Giulia Alvares, que já havia participado da edição de 2023 como competidora e chegou à final global em Lisboa.
“Foi uma experiência transformadora. Mesmo sem vencer, adquiri conhecimento, networking e aprendizados que me motivaram a trazer o Hult Prize para a PUCPR como uma forma de retribuir”, explica.
Uma jornada que começou com incentivo e curiosidade
Para Mariah, integrante da equipe Biodefenser, o primeiro contato com o Hult Prize aconteceu de forma inesperada:
“Conheci o Hult Prize por meio do meu pai, que também é empreendedor. Ele comentou sobre o programa após um evento, e isso despertou imediatamente meu interesse.”
Na época, ela e Taciane já participavam do Programa Institucional de Bolsas de Empreendedorismo e Pesquisa (PIBEP), sob orientação do professor Luiz Fernando Bianchini — experiência que foi fundamental para a construção do projeto.
“No início de 2026, depois de sermos vencedoras do PIBEP, recebemos a confirmação de que a PUCPR participaria do Hult Prize. Foi aí que decidi me inscrever. Fiquei muito feliz em poder levar um projeto tão importante para representar a universidade.”
Preparação intensa e desafios globais
Com uma equipe enxuta, a preparação exigiu dedicação intensa e multidisciplinar. As estudantes passaram a estruturar um negócio completo, envolvendo produto, modelo de negócios, marketing, parcerias e questões regulatórias.
“Estamos estruturando um projeto completo de empresa. Isso envolve aprimoramento do produto, modelagem de negócios, marketing, parcerias e até questões regulatórias. É um processo muito exigente”, destaca Mariah.
Outro desafio importante é o formato da competição:
“Toda a apresentação precisa ser feita em três minutos e em inglês. Isso exige preparo emocional, controle do nervosismo e domínio do conteúdo.”
Além disso, o projeto está alinhado a seis Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), um dos critérios avaliados pela banca.
Organização local e fortalecimento do ecossistema
A edição do Hult Prize na PUCPR, organizada por Giulia, contou com equipes majoritariamente vinculadas ao PIBEP, o que contribuiu para o alto nível das propostas apresentadas.
“Ganhamos na qualidade, não na quantidade. Os projetos eram realmente incríveis”, ressalta Giulia.
A banca avaliadora reuniu empreendedores influentes do cenário regional e nacional, incluindo CEOs e profissionais reconhecidos, além de oferecer mentorias para os participantes.
O projeto vencedor foi o Biodefenser, desenvolvido por Mariah e Taciane, que se destacou pela inovação e impacto ambiental positivo.
Expectativas e próximos passos
Com a vitória na etapa local, a equipe garantiu vaga na fase nacional, que será realizada em São Paulo. Nessa etapa, os participantes disputam uma vaga na final global e a possibilidade de ingresso na Aceleradora Global do Hult Prize, realizada na Inglaterra.
Mariah demonstra confiança, sem deixar de reconhecer a pressão do momento:
“Minhas expectativas estão bem altas. Estamos refinando o projeto, participando de mentorias e eventos com apoio do Sebrae, além de continuar com as aulas de inglês.”
O propósito da iniciativa segue claro:
“Acreditamos muito no potencial do projeto e na relevância da proposta, já que buscamos contribuir com a mitigação de incêndios florestais, um desafio de grande importância para o país.”
Apesar do entusiasmo, o nervosismo também faz parte da jornada:
“Existe um nervosismo, sim. Mas também estamos muito surpresas com o apoio que temos recebido do meio acadêmico, de empreendedores e de órgãos reguladores. Isso nos dá confiança e motivação.”
Um futuro de inovação e impacto
A participação da PUCPR no Hult Prize reforça o papel da universidade como um ambiente de inovação, incentivando seus estudantes a desenvolverem soluções concretas para desafios globais.
A continuidade do projeto na instituição dependerá do engajamento de novos estudantes dispostos a liderar a iniciativa nos próximos anos. Como destaca Giulia, trata-se de um desafio que exige dedicação, mas traz grande retorno:
“É uma oportunidade única de crescimento pessoal e profissional, além de contribuir para o desenvolvimento de outros alunos.”
Com uma proposta alinhada às demandas ambientais e uma trajetória marcada por dedicação, inovação e apoio institucional, a equipe Biodefenser segue como forte candidata nas próximas etapas do Hult Prize 2026.